domingo, dezembro 03, 2006

Gangs



Falar sobre gangs, guettos e pretos, não é propriamente agradável. Menos ainda quando a captação do que aqui possa ser escrito engloba uma população média-alta que não está habituada a andar aos tiros.
O certo é que todas estas cenas fazem parte do quotidiano dos mal-afamados, da malta da droga e dos gajos que apenas têm uma forma de estar: na lei da selva. Ou seja, nós!
Não estou a ver os antropólogos, jornalistas, advogados, professores, e outros poetas desta vida cor-de-rosa (os blogues) a relatarem com conhecimento de causa situações como aquela que aconteceu no Oriental Recreativo. Mas nós, mesmo limitados na cultura e sem diplomas, respeitando os acima mencionados, neste tema damos cartas, desculpem lá.

Para exemplo, serve de prova o contacto diário que temos com os intervenientes de histórias parecidas. De raças e credos opostos, onde um copo a mais ou uma gaja boa metida no meio da malta pode fazer despoletar os canhangulos e, com alguma sorte, a estadia nestas assoalhadas foi o melhor que lhes podia ter acontecido.

O discurso de Estado, nesta matéria, é estranho, debilitado, camuflado e pouco lúcido. Digamos que é um assunto ingovernável e que mesmo alguns gajos com "eles" no sítio retrocedem ao olhar de frente o problema.
Sempre fui apologista de que mais segurança não implica melhor segurança. Não são mais polícias e mais brigadas e outras comissões que coloca toda uma máquina social a funcionar. Interesses alheios sobrepõem-se. Desde económicos à função da própria sociedade na distribuição de educação e riqueza por todos estes desgraçados que nem sequer o encarceramento os faz mudar.

Falar de bairros problemáticos ou na facilidade de adquirir armas de fogo é tornear a questão. O crime sempre fez parte da história da humanidade. O que se coloca em causa é a conduta destes cidadãos perante as desigualdades e descriminações a que estão sujeitos diariamente. Às condições que lhes são oferecidas para encher os bolsos de quem não olha a meios para atingir os fins. Dos direitos e deveres da relação entre dominante e dominado.

Como diz o poeta, só há liberdade a sério quando houver pão, saúde, habitação, educação. A paz será sempre o acréscimo daquela quadratura para o compromisso que se impõe. Penso eu.

3 Comments:

Blogger peciscas said...

Concordo, em grande medida com o teu ponto de vista.
No entanto, também te posso dizer que há gente que, embora mais distante dessas realidades, é capaz de as compreender e de não alinhar com preconceitos e pressupostos que em nada resolvem os problemas.

7:39 da tarde  
Blogger Grilinha said...

Nasci, cresci e vivo na chamada zona problemática de "Chelas".
O Problema não foi criado por quem aqui mora mas sim por quem criou este bairro e outros iguais para "despejar" milhares de seres humanos como quem despeja um saco de lixo e este se acomoda ao espaço no caixote e aos objectos já existentes á sua volta.
Mais policiamento? Não obrigada (2 esquadras e 1 super-esquadra não chega?)
Tragam melhoramentos económicos e sociais e aí terão resultados positivos.
Este caso nada teve a ver com o bairro X ou Y.
Ajustes de contas sempre ouve nas classes altas, médias ou baixas.
Pela lei a colectividade deveria ter encerrado ás 2 da manhã (li nos jornais).
Façam o favor de punir quem deixou estar a porta aberta para além dessa hora com intuito de ganhar mais uns trocos na venda de bebidas.
Um abraço que a noite já vai longa e amanhã é dia de levantar cedo para mais umas consultas de rotina.

2:25 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

O que não se percebe, é como o grupo de pessoas a que pertence, e que faz questão de separar da restante população, a que lutou contra ventos e marés para fazer um curso e trabalhar ao mesmo tempo, para ter uma vida digna. Nada se consegue sem trabalho. E viver à custa dos outros tem um nome.
O que gostava realmente era de ver o grupo de pessoas que se diz discriminado trabalhar para atingir o que pretende. Assaltar uma pessoa que trabalha para conseguir ter dinheiro, parece-me menos digno do que trabalhar. Ou não? Falemos de respeito mas de respeito pelo próximo. Não é por ter um curso que sou mais do que ninguém. Mas custou a fazer. Custou dinheiro e muitas horas de sono e tive de trabalhar para pagar os meus estudos. Ao contrário do que diz, nem todas as pessoas formadas desconhecem a realidade a que se refere. Apenas fazem alguma coisa para mudar a situação.

4:26 da tarde  

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