quinta-feira, janeiro 25, 2007

Jardim suspenso

Não se trata de um qualquer da Babilónia. Nem sequer será piada a Alberto João que, temos a certeza, se daria muito bem por cá. É apenas um reflectir sobre o que nos vai passando pela cabeça quando poisamos a vista no jardim à nossa frente. E nada melhor que lendo mais um testemunho passado debaixo da cela por um gajo com quem me vou cruzando por aqui.


“Quando estamos amargurados e sombrios, este aglomerado de verde e sombra, águas libertas nas fontes e vidas penadas que esvoaçam ao sabor do vento, têm o poder de dissuadir pensamentos negativos. Revejo-me constantemente no significado do seu primeiro baptismo: o Parque da Liberdade. E pergunto-me porque teria o meu destino ser assim.

Duma área do pátio onde se reúnem os nostálgicos, podemos ver as torres e alguns arbustos onde se ouvem cantos ao raiar desta manhã. Misturado com o perfume das flores de todos os cantos do mundo que se olham nos limites da Estufa-Fria, entranha-se na alma a luminosidade desta Lisboa. Com Tejo e tudo à flor da pele, terá decerto dito algum fadista.

As folhas que o tempo ventoso e frio arrasta pelo chão fazem recordar meu pai. O som estridente das aves exóticas lembra mais a minha mãe. Depois, olhamos em volta ao que nos cerca e caímos na real. E fugir é palavra-chave.
Para onde é que não sei. Talvez seja só o pensamento que me leva aonde ainda não fui: um céu que tenha o jardim suspenso como este aqui.”

Danilo”Brazuca” Pais, pena máxima esperando redução.


2 Comments:

Blogger aldina said...

Há revelções que só a Mãe Natureza pode mostrar aos seus filhos, porque só ela saberá quando estarão preparados para a clarividência dos acontecimentos, esse momento ela sabe-lo quando ele a procura de olhos e ouvidos bem despertos.

obrigada e parabéns!

Até sempre

8:21 da tarde  
Blogger Zé "Prisas" Amaral said...

Exactamente, Aldina.
Por muitos crimes e disparates que esta malta tenha cometido e praticado, há sempre qualquer coisa marcada nos moldes educacionais, e ambientais, que ficam na memória de quando todos eram meninos. Eu próprio, culpado de alguns que cometi, sempre respeitei a madre natural. Essa manganona que nos dá tanta coisa sem pedir nada em troca.
Mas há tantos outros a aniquilar a clarividência...

6:25 da tarde  

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