segunda-feira, setembro 18, 2006

O perfil


Foto SIC no Sapo

Este substantivo que possui várias interpretações linguísticas sempre me intrigou. Não sei se por gostar de pintura e fotografia, ou de o ouvir repetitivamente.
Quando trabalhei numa grande empresa, muito eu ouvi o aconselhamento “tem que ter perfil!” para a tal vaga que (ainda) não tinha “cunhas”. No meu clube, assisti a algumas referências, no mesmo sentido, quando se precisava de encontrar um treinador ou um presidente. Para não variar, a política não foge à regra e hoje em dia anda-se à procura do perfil para o próximo Procurador-Geral da República. Será que Pinto Monteiro o tem?

Mas afinal o que é um perfil?
Terei eu perfil de bandido só porque fiz um desfalque? Se assim é, estou a pagar caro por isso. Os camaradas de caserna aqui do Palacete terão perfil de assassinos, contrabandistas, traficantes? A mim sempre me pareceram mais “homens de negócios”. Empresários. Malta da vida e da noite que tiveram azar e foram agarrados.

Dá-me mais gozo pensar em perfil daquela forma que se diz quando se vai na rua: “Epá, viste aquelas silhuetas desenhadas na blusa daquela loira?” Ou então reflectir que “os traços daquela morena dizem-me qualquer coisa!”
“Contorno”, por exemplo, já me deixa mais assexuado. Faz-me lembrar formas redondas, delineamentos femininos à rédea solta. Gráficos específicos que se podem detectar sem sermos vistos.

Ter cadastro é lixado. Mas ter perfil parece-me coisa de mariconços. Digo eu.

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