segunda-feira, outubro 16, 2006

Orçamento do Estado (2007)

As medidas conhecidas do OE para o ano que vem, já se estão a fazer sentir. Mais propriamente em casa do Chico “Gembrinhas” da Damaia. Chegado da precária, segredou-nos que a mulher anda à rasca, que a massa não chega e tal… coisas do costume.
Engraçado foi o diálogo dela no queixume:
-Sabes, Chico? De tanto aqueles cabrões mandarem a gente apertar o cinto já me ando a vestir nas lojas de criança.

5 Comments:

Blogger João…zinho!! said...

:-) Gostei do comentário...

1:29 da manhã  
Blogger al cardoso said...

Tenho ca vindo muitas vezes, embora nao deixe comentarios, gosto da forma como escreves. Gostei do comentario da tua mulher.

Um abraco da "Serra" (a Estrela claro).

8:44 da manhã  
Blogger Zé "Prisas" Amaral said...

al cardoso, se queres que viva mais uns anos a penetenciar-me, aqui ou aí fora, verifica lá à mulher a que te estás a referir.

O Chico "Gembrinhas" ainda me dá cabo do canastro por levantares falsos testemunhos.

Tu vê lá!?

3:42 da tarde  
Blogger MCP said...

O que se passa no interior dos estabelecimentos prisionais é sempre um mistério, e o mundo cá de fora não parece muito interessado em desvendá-lo.

Por diferentes razões, pessoais e profissionais, tive contactos diversos com ex-reclusos. Alguns, grandes amigos.
São períodos que, uma vez ultrapassados, ninguém gosta de recordar - não é assunto que passe pelas conversas de uma roda de amigos à volta de uma mesa de jantar.
Mas quando a saída é recente e a emoção está fresca, há sempre qualquer coisa que se conta acerca daquilo por que se passou: tudo é diferente lá dentro, os códigos de honra são outros, as 'regras' de sobrevivência mais agudas; é, por natureza, um meio social fechado em que a brutalidade é uma constante. Toda a gente - reclusos e guardas - está em permanente estado de alerta receando o que lhe possa acontecer. Daqui aos abusos de quem detém o poder é só um pequeno passo, que ao que parece ainda é dado muitas vezes.

Nada disto é novo. Como não é novo que a maior parte das comunidade se está perfeitamente nas tintas para as condições de vida de indivíduos que temporariamente baniu do convívio social. Conheço quem defenda a pena de morte para certos crimes com o argumento de que, em alternativa a pagar anos de alojamento, alimentação, cuidados de saúde, etc., até sairia mais barato... Assim como já vi empresas a prestar serviços 'humanitários' em prisões com o único e publicitário fim de serem notícia.

PS - Não sei se continua assim. Mas, há 15 anos, jornalista que aparecesse com atitudes incómodas face ao director de um estabelecimento prisional passava a ter a porta fechada em definitivo.

6:05 da tarde  
Blogger Zé "Prisas" Amaral said...

O "mistério", mcp, não será nos dias d'hoje tanto como o pintam. E se continuasse a manter os contactos, perceberia porquê.

Numa coisa tem absoluta razão: não é coisa que se goste de recordar.
Apenas em casos extraordinários, onde os convivas fazem dum encontro uma prova de amizade pelo tempo que passaram juntos, se justifica. E porquê?
Porque mesmo pagando a dívida à sociedade continuamos manchados e necessitamos de nos apoiar mutuamente.

Está por aí algures, num dos textos que já publicámos, a hipocrisia por que se rege a sociedade que nos condena.
Nunca chegará a pena que cumprimos.
Os arautos da justiça e dos bons costumes exigem sempre mais.

Daí, muitos destes tipos que acreditam que podem ser gente normal, mudarem de nome, de morada, de ofício.

Viver temporariamente detido é uma forma de privação da liberdade como castigo. Já percebemos poquê. E metade dos moradores deste condomínio fechado, se justiça fosse feita, cumpriria penas mínimas em comparação com outros delitos maiores praticados por quem detém os meios que o Poder disponibiliza.

Mas como deve calcular, a Justiça não funciona por igual.

E já passaram quinze, vinte, trinta anos sobre questões penais e civis que ainda se discutem.

4:23 da tarde  

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