terça-feira, maio 15, 2007

Enquanto todos esperamos o melhor desfecho para o caso de Madeleine McCann, procuramos encontrar soluções para os tipos que podem julgar que estão perdidos. O projecto “A cor das histórias” do Miguel Horta, em sintonia com o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, segue a sua caminhada para o Estabelecimento Prisional do Montijo já em Junho.

Enquanto assistimos à tomada da cidade de Lisboa por pessoas que tudo querem fazer por ela menos melhorá-la, soubemos que o artigo de Alexandra Marques no DN teve consequências positivas no que diz respeito a todos estes manganões que, aqui e ali, em todas as prisões portuguesas, continuam à espera de se fazerem ouvir.

E hoje, trazemos ao conhecimento de quem aqui passar uma viagem. Uma viagem real. Relatada pelo autor na primeira pessoa, o “Vítor”, no Estabelecimento Prisional Regional de Setúbal a residir, esperemos que por tempo curto.


A Esfinge - Guardiã das pirâmides de Gizé

De Lisboa ao Cairo


"Ao saber de tal, não pensei viver tudo aquilo que vi, ouvi e cheirei. Sabia eu pouco sobre um país rico em cultura, sabia o mínimo, apenas uma civilização com 6 mil anos de história. Vou contar algo incrível!

Uma cidade cosmopolita igual ou maior que qualquer uma do ocidente com cerca de 12 milhões de habitantes. Dá para imaginar? Tive a sorte de lá viver 6 dias com tudo de incrível que se possa imaginar, do tipo "Mil e Uma Noites". Saí do hotel, pela manhã, com a intenção de ir ao plateu de Gizé, onde se situa a maior concentração de pirâmides e esfinges de todo o Egipto. Ao chegar ao local, aproximou-se de mim um homem de sorriso jovem, apesar de bastante idoso e com pouquíssimos dentes, como se debaixo daquela pele grossa e enrugada se escondesse um rapaz de rosto liso ainda imberbe. Negociei o aluguer dos cavalos com ele, a minha intenção era ir de camelo mas encontravam-se todos alugados a uma excursão de italianos.

Então, lá segui de cavalo pelo deserto com as pirâmides no horizonte.
Conforme nos aproximava-mos, menor era a minha respiração, não por medo, mas pelo espanto da imponência de tamanha obra. Já aos pés da esfinge, pasmo. Pensei; parece que vim provar a sua existência!

As pirâmides erguem-se em grandes blocos de pedra rugosa, têm a mesma cor alucinada dos crepúsculos, batidas pelo vento áspero e pelo duro sol. Do cimo do meu cavalo senti-me tal qual Alexandre “o Grande” ou até mesmo César.

Depressa o dia acabou. Pois na verdade o que não me lembro é das horas que rapidamente passaram pelo Cairo. Fiquei em ânsia para ir para Alexandria, só não sabia que iria de carro e não de avião; sorte a minha porque a maior parte do trajecto foi pelas margens do grande Nilo, o rio que sustentou uma das maiores civilizações do passado. Fazia calor, seco, tão seco como possam imaginar... Ajudaram as Colas e Fantas, únicas bebidas, além do chá; porque álcool só nos hotéis.

Finalmente estava em Alexandria, cidade impressionante, banhada pelo mar Mediterrâneo. Ao passar pela alfândega portuária, um dos policias reparou no meu crucifixo que trazia pendurado no meu fio de ouro ao peito. Qual o meu espanto ao ver aquele homem dobrar a manga da camisa do seu braço esquerdo para, com orgulho, exibir o seu antebraço tatuado uma cruz, dizendo que também ele era cristão. Conclusão: nem as minhas malas abriu! Jamais esquecerei, naquele rosto de olhos reluzentes, o orgulho da sua partilha.

No cais esperava-me um navio com cerca 240 metros e de grande tonelagem, de bandeira Americana, de seu nome Ultramar, que para mim foi um bom presságio.

O meu destino imediato era passar do Mediterrâneo para o oceano Índico, atravessando o canal do Zuêz com cerca de 160 km de extensão até ao Mar Vermelho, num percurso de 12h. Já no Índico, navegámos 22 dias até Bangladesh, na Índia.

Mas aí foi outra história... como em todas as viagens que fiz à volta do mundo."

3 Comments:

Blogger gaivina said...

Vi agora no noticiário uma síntese do programa que vão exibir... A prisão mo feminino...Promete

2:22 da tarde  
Blogger gaivina said...

Existem números fiáveis sobre a infecção do HIV nas prisões de Portugal?

2:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Boa história! Ainda não conheço o Egipto...

Um abraço virtual para o ru2x, lá onde ande, como alguém disse: Miss me-But Let Me Go.

e abraços para vcs

py

2:56 da tarde  

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