sexta-feira, junho 08, 2007

Devido à morte de um familiar, estive na precária mais longa a que tive direito pelo Código Penal que abrange casos destes. E por vezes me interrogo se fico devedor e grato ou, se por exemplo, se tivesse tido juízo, o rumo das pessoas que fazem parte do círculo da minha vida tivessem melhores dias. Menos angústias e preocupações desnecessárias.

Não sendo um ascendente directo, no entanto, a pessoa em causa mexia com elementos familiares que me estão perto. Ao contrário de mim, nunca fez parte duma "Famiglia à portuguesa", onde a maior parte desta malta se incorpora, mas sim de uma família a sério. Aquela em que os rebuçados, livros e brinquedos, faziam parte dum ritual que perdemos. E são essas pequenas coisas, a que nunca dei verdadeiro valor, que me fazem pensar melhor.

Presumo que não estarei ainda em condições de explicar a morte.
Por muito que me esforce e ultrapasse, há sempre qualquer coisa que me escapa quando tento procurar a perfeição. Parece um paradoxo, mas até o crime pelo qual alguns de nós fomos condenados peca por não ter sido bem delineado e sucedido. Estarei a escrever sobre os meus, mais propriamente. Daqueles que não metem tiros e facadas. Iguais a tantos outros que se praticam diariamente e nenhum de que quem nos lê dá fé.

Daria mais uns anos de reclusão, se possível fosse, para o ter ainda ao pé daqueles que, por razões que me prendem, vejo irrelugarmente.

3 Comments:

Blogger peciscas said...

A morte é um acontecimento que, apesar de ser tão comum, sempre nos toca e nos marca indelevelmente.
Como toda a gente, já perdi pessoas, há mais ou menos tempo, que deixaram um lugar irremediavelmente vazio.
Irremediavelmente...

7:09 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Pois eu então os meus mortos queridos continuam a viver dentro de mim. Claro que não é tal qual, mas num certo sentido ainda é melhor.

py

11:37 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

A morte de quem amamos toca-nos sempre cá no fundo. Resta-nos, a quem por aqui vai ficando, as recordações e a memória do nosso coração. Gosto de te ler. Escreves muito bem.

5:22 da tarde  

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