domingo, junho 10, 2007

Os maus e os bons



“A filha do director do Estabelecimento Prisional de Santarém foi morta à facada pelo ex-marido”, noticia o Correio da Manhã na newsletter que nos fazem chegar diariamente. Assassinada, portanto.
Após as nossas condolências enviadas deste Palacete, e revolvendo uns papéis velhos que tenho aqui, continuo a considerar que ninguém está seguro. Nem aqui, nem aí, mesmo que por cá não tenhamos muitas razões de queixa nos últimos anos. As pessoas estão a passar-se, é o que é!

Desde os putos que são cortados à porta das discotecas aos acidentes nas estradas provocados por excessos, já não há manobra para tentar perceber o que está a acontecer nesta sociedade que se diz moderna.
Os exemplos que abrem Telejornais sobre as tragédias que acontecem no mundo inteiro diariamente, dão-me razão. E o silêncio de se estar sozinho numa cela permite-nos ver as coisas de forma diferente. Tal e qual como a malta que escreve nos blogues, agarrados ao teclado durante o dia inteiro. Distanciados dos directos que afligem qualquer um. Da rua, do bairro, da cidade, do país, mas não tanto do mundo, ainda assim.

Hoje, olhando de soslaio para a imensidão de gente que vem visitar os seus parentes, não estranho a miscelânea de raças, de credos, de culturas, que se unem à nossa volta e do receio que penetro no olhar de cada um deles. E não estranho, porque vivemos assim desde que se conhece uma sentença. Ficamos juntos para o melhor e para o pior na fatia desta sociedade menos próspera. Chulos, assassinos, pedófilos, ladrões, traficantes; toda a minha gente vive em uníssono a uma só voz: a da expiação. E sabemos quem somos.

O que me provoca alarido nos neurónios é o já não sabermos distinguir os bons dos maus da fita.

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

É Zé, também ando baratinado. Às tantas somos todos maus, e bons.

py

6:37 da tarde  
Blogger Aldina Duarte said...

A descoberta do mal e do bem é um caminho para a vida inteira, se não complicarmos saberemos do mal num instante dentro de cada um de nós, primeiro, e, depois, no outro! O bem é menos preocupante... basta praticá-lo!

Até sempre!

4:03 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Como diz a nossa Fadista, é uma questão de escolha, Zé. E mesmo que a primeira seja a errada, há sempre hipótese (penso eu) de corrigir as coisas. Tal e qual como o fado, a toirada e o bairrismo; está-nos no sangue.

saddam, o dos fados

12:18 da manhã  
Blogger eduardo said...

Não te sintas só na tua dúvida.
Há mais quem sinta que as coisas e as pessoas estão a tresmalhar (a passar-se). Não no sentido de haver um só pastor que tire as incertezas a tudo e a todos, mas aos que se passam e devem ter guardadores de gado e rebanhos a mais que não são mais-valias daquilo que estamos a tentar falar.

Um abraço à rapaziada.

11:54 da manhã  
Blogger absorbent said...

sinceramente, acho q já nao ha bons nem maus... somos todos cinzentos, quase desprovidos de cor. e sendo assim custa tanto ir para cima como para baixo, tanto fazer o bem como o mal... só depende da situacao, do quanto facilita cada uma das opcoes, pq ca dentro, tanto nos faz....

1:55 da tarde  
Blogger MCP said...

Digamos que somos todos bons, com alguns momentos maus. À parte os que são maus, com alguns momentos bons.

Abraço

9:12 da manhã  

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